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Glam Magazine

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“Excuse me while I kiss the Sky”… Da Chick na Casa da Música (Reportagem)

A noite era especial na Casa da Música. O NOS Club celebrava 9 anos numa edição especial com convidados (muito) especiais.

A abrir a noite, Da Chick marcava o regresso de Teresa de Sousa à Casa da Música.  O imaginário musical de “Chick to Chick”, album estreia da cantora, seria a energia de um concerto onde ninguém ficou parado.  Mostrando a sua rebeldia em palco, rapidamente estava criado o ambiente para que a sala 2 da Casa da Música se convertesse num club de dança de uma qualquer metrópole dos Estados Unidos.

d001.jpgOs ritmos funky/disco, distribuídos por Mike El Nite numa cadencia non-stop e com um frenesim boogie, acompanhados por um trio de sopros a lembrar o Northern soul dos anos 70, juntamente com a voz jovial de Da Chick vieram confirmar o sucesso da jovem artista que cada vez mais vai conquistando público e fãs em todo o mundo.

Aquilo que começou quase como uma brincadeira em 2009, como a própria nos confessou em entrevista em Junho de 2015, é já um verdadeiro fenómeno.

d002.jpgO desfilar de ritmos quentes decorreu durante uns parcos 60 minutos, direi que foram poucos para aquilo que gostamos de ver e ouvir, mas foram 60 minutos intensos e cheios de energia, basta referir que ao terceiro tema já Da Chick cantava no meio do público.

d003.jpgMantendo o ritmo alucinante, com pequenas pausas onde sempre com a sua boa disposição interagia com o público, para os 2 temas finais chama ao palco Luis Clara Gomes, mais conhecido por Moullinex para fechar um concerto em ritmos de verdadeira festa.

Diria mesmo…. “Excuse me while I kiss the Sky”

 

Reportagem: Sandra Pinho

Fotografias: Paulo Homem de Melo

 

Galeria de fotografias aqui

O regresso dos Tuxedomoon em 2016… e concerto em Portugal

Os Tuxedomoon, banda originária de São Francisco, constituída por Blaine L. Reininger, Steven Brown e Peter Principle, são uma das mais reverenciadas bandas da cena alternativa que surgiu após a explosão do punk no final dos anos 70. Os Tuxedomoon conseguiram um assinalável êxito na Europa, continente onde a sua música ecoou sempre de forma especial ao longo dos anos. O grupo acumulou uma séria discografia que é uma das mais fortes referências no universo pós-punk, a começar logo com a estreia em 1980 com "Half-Mute", disco que é hoje encarado como um clássico maior.

100516-tuxedomoonplus.jpgPhoto: Philippe Cornet

 

O trio nuclear dos Tuxedomoon - Reininger, Principle e Brown - voltou a reunir-se em 2016 e juntou esforços com Luc van Lieshout e Bruce Gedulgig para apresentar ao vivo o material original de "Half-Mute", uma mescla experimental que à época o próprio grupo descreveu como "cabaret no wave". Em 1980, Glenn O'Brien descrevia o som dos Tuxedomoon nas páginas da Interview de Andy Warhol como "maravilhoso, barroco, uma dança serpenteante através do espaço".

O som dos Tuxedomoon, que misturou sempre electrónica e instrumentos clássicos, como o violino de Blaine Reininger, abraçou sempre muitas referências, do punk à música erudita do século XX, da música de cinema ou cabaré, até às sonoridades do Oriente. É essa riqueza que agora trazem a Portugal, num singular espectáculo evocativo de uma estreia que ocorreu há 36 anos mas que pela sua singularidade bem poderia ter acontecido ontem.

 

Teatro Tivoli BBVA

6 de Junho 2016 | 21.00h

A Sala de estar de António Zambujo no Cineteatro António Lamoso (Reportagem)

António Zambujo transformou o Cineteatro António Lamoso em Santa Maria da Feira, na sua sala de estar, para um serão descontraído de sábado à noite.

Com um auditório esgotado, este fenómeno atual da música portuguesa volta a Santa Maria da Feira após 3 anos “a sala está mais limpa, mais bonita desde da última vez que cá estive, agora dêem-lhe uso, como todos os teatros merecem”, traz consigo música do mundo, cantada em português e com uma simplicidade e descontração que lhe reconhecemos ser naturalmente genuína.

IMG_5243 (Cópia).JPGAntónio Zambujo não é um cantor do momento, já vai no seu 7º álbum Rua Da Emenda” de (2014), mas ainda continua a ser esse que traz na bagagem para mais um concerto mas nunca esquecendo o seu repertório anterior, com novas músicas / versões que vai redescobrindo e partilhando com todos,  como já aqui escrevemos aqui na Glam, são mais de 10 anos de carreira.

IMG_7082 (Cópia).JPGEm palco e sozinho, acompanhado pela sua guitarra vai desfiando a sua vida de forma tímida, descontraída e espontânea, fala do seu Alentejo e das suas influências portuguesas e brasileiras, sempre com um sorriso no rosto, olha para a plateia constantemente para ver as reações das pessoas que testemunham que este cantor não tem só o “Pica do 7” como hit, aliás essa foi a música que só cantou a pedido do público, pois como o próprio referiu “eu não fiz alinhamento, por isso vamos ver como isto saí, e vocês vão dando opiniões do que querem ouvir” sendo a mais pedida “Pica do 7” responde “só conhecem essa?” desta forma vai convidando o público a participar no seu alinhamento e nas improvisações que vai fazendo ao longo do concerto, e ouve opiniões, está atento a quem está à sua frente, com refere a determinada altura: “é muito bom olhar daqui e ver sorrisos desse lado, assim vale a pena estar aqui em cima”.

O seu estilo musical é definido como um fado que mescla com a música popular brasileira e tradição portuguesa, como o cante alentejano com a música “Fui colher uma romã”, mas desta vez cantado a solo.

IMG_7156 (Cópia).JPG “Nem às paredes confesso” relembra Artur Ribeiro – compositor, que tantos sucessos escreveu e partilha um pouco da sua história com todos os presentes, um refrão que é cantado em uníssono, (não fosse esta a música que todos conhecem a partir da voz da Amália Rodrigues) em que Zambujo assiste e ensina a letra que vai saindo um pouco trapalhona da plateia. "Rosinha dos Limões" é outro dos sucessos que traz à memória a sua infância e dá a conhecer “aos mais novos que estão aqui, já que os mais velhos devem-se recordar desta música”.

Não esconde a sua paixão pelo Brasil e relembra as novelas brasileiras Tieta do Agreste e Roque Santeironos anos 80 a novela era um serão em família, jantava-se depressa para ver…” e fala de momentos engraçados da infância, para de seguida “No Rancho Fundo” volta-se de novo a ouvir um coro no auditório na parte do refrão. “Nervos de Aço” de Lupicínio Rodrigues (Porto Alegre-Brasil) é um “compositor que admiro e gosto particularmente da sua escrita, eu gosto desta música, tem algo de familiar” é uma versão que “a própria Adriana Calcanhoto já cantou,  seu centenário de Lupicínio”.

IMG_7195 (Cópia).JPG“Lambreta” coloca o público a cantar o refrão baixinho. “Readers Digest”, “Barata Tonta”, “Zorro” “Algo estranho acontece” vai enchendo a noite.
António Zambujo tem uma voz agradável, mas o que atrai mais nos seus concertos é a forma simples e singular com que partilha a música, as brincadeiras que vai fazendo com a guitarra, sem artifícios e de forma simples, agarra um público muito heterogéneo, o simples assobio que faz com alguma frequência ao longo das suas músicas relembra-nos a infância que tantas vezes ouvíamos os mais velhos fazerem. A meio faz uma incursão pela guitarra elétrica “it’s rock and roll” diz e após 2 músicas “bem, já chega” volta a sua guitarra acústica, onde se sente muito confortável.

IMG_7217 (Cópia).JPGCom o público aplaudir de pé António Zambujo despede-se e agradece a presença de todos e bom momento que foi estar ali com todos.

Sem abandonarem a sala, as palmas persistentes chamam-no de novo ao palco para um encore e uma espécie de discos pedidos “bem, o que querem ouvir,já aqui estamos a mais de 90min já não sei o que cantar mais…”

No final, após quase 2 horas de concerto, António Zambujo despediu-se com uma enternecida vénia e saiu de palco debaixo de uma das maiores ovações.

 

Reportagem e fotografias de Sara Silva

 

 

 

Ensemble Super Moderne no Centro Cultural de Belém…

Constituído por oito músicos com percursos musicais sólidos, capazes de explorar diferentes formas de narrar, improvisar e interagir musicalmente, o Ensemble Super Moderne tem como linha condutora para a sua música “não ter nenhum som mas vários”.

ESM.jpgGarantidamente este octeto, que se estreou no ano passado com um álbum editado pela Porta-Jazz, reconhecida editora sediada no Porto, parte da liberdade do jazz para abarcar também elementos do rock e referências da música erudita do século XX. Com o Ensemble Super Moderne o conceito de uma linha estética como elemento unificador do projeto desaparece, dando lugar a que o grupo se identifique, precisamente, por não tomar partido de nenhuma música em especial.

 

José Pedro Coelho: saxofone tenor, soprano e clarinete

Rui Teixeira: saxofone barítono, clarinete baixo

José Soares: saxofone alto

Paulo Perfeito: trombone

Eurico Costa: guitarra

Carlos Azevedo: piano e sintetizadores

Miguel Ângelo: contrabaixo e baixo elétrico

Mário Costa: bateria

 

Centro Cultural de Belém / Pequeno Auditório (Lisboa)

14 de Abril 2016 | 21.00h

Sommeliers americanos incluem dois Bairrada nos “50 Melhores Vinhos de Portugal para os EUA”

Foram revelados no final da semana passada em Nova Iorque aqueles que são os “50 Melhores Vinhos de Portugal para os EUA”. Na selecção, feita por três master sommeliers (o patamar mais elevado da profissão escanção) americanos, figuram dois vinhos da Bairrada de produtores já com uma larga história para contar: Caves São João e Luís Pato. Dennis Kelly, Madeline Triffon e Peter Granoff reconheceram a excelência do ‘Quinta do Poço do Lobo Reserva tinto 2012’ e do ‘Luís Pato Vinhas Velhas tinto 2011’ nesta iniciativa criada há três anos pela ViniPortugal.

Segundo esta organização interprofissional, o objectivo é “reforçar o conhecimento e a notoriedade dos vinhos portugueses junto dos consumidores e dos líderes de opinião norte-americanos”.

Quinta do Poço do Lobo Reserva tinto 2012.jpgO ‘Quinta do Poço do Lobo Reserva tinto’ é um vinho da quinta homónima que foi adquirida pelas Caves São João em 1971, tendo o primeiro vinho sido comercializado dezasseis anos depois. Nesta propriedade, com cerca de 35 hectares, colhem-se as uvas das castas Baga (35%), Touriga Nacional (50%) e Cabernet Sauvignon (15%) que dão origem a este DO Bairrada de 2012. É um tinto de cor violácea que no seu corpo revela especiarias e bagas vermelhas com um toque floral e de campo. É muito equilibrado, vivo e alegre, com uma acidez bem marcada e taninos persistentes. Ideal para carnes vermelhas e caça, bem como queijos amanteigados.

Luís Pato Vinhas Velhas tinto 2011.jpgLuís Pato, o revolucionário produtor bairradino, tem no Vinhas Velhas uma das suas mais emblemáticas referências. Em 1988, o galardoado ‘Senhor do Vinho 2015’, foi o primeiro a chamar a atenção para a idade de uma vinha como factor de qualidade, tendo, naquele ano, produzido o primeiro Vinhas Velhas português. De uvas da casta Baga, provenientes de vinhas com mais de quarenta anos, este ‘Luís Pato Vinhas Velhas tinto’ é um Bairrada de álcool moderado e fresco na fruta, com sugestões de cerejas, framboesas e especiarias. Bastante equilibrado, é extremamente gastronómico, indicado para acompanhar uma grande variedade de pratos.

 

Como é característica dos vinhos da região Bairrada, ambos os premiados denotam grande potencial de longevidade. Daqui a 15 anos ainda vestirão a camisola de um grande vinho, a mesma que agora receberam sob cunho americano.