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Glam Magazine

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Discos Portugueses do ano… “Nociceptor” dos Thunder & Co.

Os Thunder & Co são uma banda de música de dança a atirar para o emocional cujo som é caracterizado pelas batidas balançantes envoltas em acordes tristonhos e ambientes tensos. Pelo menos é o que tem saído da fábrica de trovões em Lisboa, propriedade de Rodrigo Gomes e Sebastião Teixeira. Estes dois amigos casam os gostos, discutem, negoceiam e, juntamente com o seu fiel produtor, Duarte Ornelas, chegam ao som dos Thunder & Co.

nociceptor.jpgA banda estreou-se em Março de 2014 com um EP homónimo e com o single “O.N.O.” que teve grande aceitação nas rádios e suscitou o interesse da editora NOS Discos. Os convites para actuarem ao vivo começaram a surgir e a estreia em palco aconteceu na primeira edição do festival de música electrónica Lisb_On. Até ao final do ano, e depois de gravarem "Do it", um single feito em colaboração com o produtor português Ka§par, os Thunder & Co. actuaram no Musicbox, na 1ª parte de Taylor McFerrin e no NOS Club (Casa da Música). Entre actuações, estiveram concentrados em gravar este o primeiro disco.

Nociceptor” é o nome do álbum de estreia deste grupo “disco-lamechas” e tem 10 músicas (incluindo “Apples”, single de avanço para este disco, e “O.N.O.”, single que até aqui só tinha sido editado digitalmente). Para ajudar a contextualizar a sonoridade deste longa duração, é preciso dar atenção ao nome do mesmo. Os nociceptores são os receptores sensoriais do corpo que nos dão a percepção da dor. Estas canções são doridas e carregadas de insegurança.

Misturado e masterizado por Pedro Chamorra (Voxels), “Nociceptor” conta também com a bateria de Ivo Costa (Batida, Sara Tavares, etc.)

 

Edição: NOS Discos / Março 2015 (disponivel aqui)

Discos Portugueses do ano… “Basset Hounds” dos Basset Hounds

Os Basset Hounds são o resultado da amplitude que nasce da necessidade de redefinir o horizonte de melodias, que se encontram entre o embalo e o impulso, conjugando guitarras aéreas, vozes dissipadas, baixos terrenos e baterias métricas. São caracterizados pela despreocupação em se cingirem a uma ideia, numa linguagem própria perdida entre o shoegaze, o psicadelismo, o jangle-pop e o surf. Manifestam a fluidez da sua dinâmica e a coesão do seu som num disco exemplar.

a3707781797_10.jpgO disco de estreia, de título homónimo, foi gravado na íntegra nos Black Sheep Studios em Agosto de 2014, por Guilherme Gonçalves (excepto “Over the eyes”), o qual colabora nas faixas “Bossa”, “Young” (guitarra adicional) e “Marr” (congas). Os Basset Hounds são Afonso Homem de Matos (bateria e voz secundária), António Vieira (guitarra e voz secundária), José Martins (baixo) e Miguel Nunes (voz principal e guitarra).

No decurso de 2015 a banda lançou os singles “Over The Eyes” (integrante da colectânea “Novos Talentos FNAC”), gravado nos Black Sheep Studios por Makoto Yagyu e Fábio Jevelim (PAUS\Riding Pânico) e “Swallow Bliss” gravado por Guilherme Gonçalves (Coclea\Ex-Gala Drop).

Também marcaram presença em palcos como: “Lisbon Psych Fest”, “Festival Novos Talentos FNAC”, NOS Alive e NOS em D’bandada.

 

Edição: NOS Discos / 12 de Outubro 2015 (disponivel aqui)

Discos Portugueses do ano… “Máquina del Amor” dos Máquina del Amor

Não há um ponto de entrada fácil para a música de Máquina del Amor. E ainda bem que assim é. As máquinas são complexas. E o amor, ainda mais.
Quatro almas musicais uniram visões e vontades, sedes e prazeres, e decidiram exorcizar memórias e géneros. Ao sabor de melodias ecoantes, promovem uma experiência inclusiva, penetrante, futurística e teletransportante.

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Existem calafrios. Existem arrepios. O fantasmagórico e o enigmático dão lugar ao intenso pulsar; um ritmo inebriante, semiclubbing. Num piscar de olhos os fumos da noite, as luzes das pistas de dança, e o calor dos corpos, tudo se une num espetáculo divino, libidinoso, lascivo e deliciosamente pecaminoso. As músicas de Máquina del Amor não vivem exclusivamente em zonas erógenas. Entre os silêncios existe uma abordagem xamânica. O intenso transe, dá origem a metamorfoses; corpos e espíritos fundem-se no ar, espalhando o aroma e o espectro da eternidade.
Máquina del Amor é uma reminiscência do pós-rock.

Máquina del Amor é uma ramificação do experimentalismo sem rede.

Máquina del Amor é industrial.

Máquina del Amor é escabroso. Soa a ecos de relações e de vivências. É intenso. Sabe, cheira e sente-se sangue; dispersa a fragância de pétalas de rosas, de orquídeas e de incensos misteriosos. Há uma sensação de descoberta. Há a Revelação. Um convite direto e luciferiano, num ritmo frenético, pungente e enraivecido. A bateria, os teclados, as guitarras estridentes, o baixo rugoso e cíclico liberta-nos, transforma-nos. E aceitamos. Desejamos essa metamorfose.


Em Máquina del Amor, Filipe Palas (Smix Smox Smux), José Figueiredo (Smix Smox Smux e peixe:avião), Ronaldo Fonseca (peixe: avião) e Miguel Macieira (Smix Smox Smux) promovem uma expressão de conectividade que surge a partir da passagem do tempo; descrevem e negam - brilhantemente - a realidade desse mesmo tempo.

Márcio Alfama de Freitas

 

Edição: Azul de Tróia / 4 Novembro 2015 (disponivel aqui)