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Glam Magazine

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“Canto” de Carminho conquistou o galardão de Platina

“Canto” de Carminho conquistou o galardão de Platina por vendas superiores a 15.000 unidades. O feito acontece a poucas semanas de atingir mais um marco na sua carreira. Dia 27 de novembro, data em que se celebra o quarto aniversário do Fado como Património Mundial Imaterial da Humanidade, Carminho vai subir ao palco do Campo Pequeno. Esta é a primeira vez que a artista atua em nome próprio nesta que é uma das mais prestigiadas salas de espectáculos de Lisboa.

nd-carminho.jpg“Canto” editado a 3 de novembro do ano passado sucede aos aclamados “Alma” (2012) e “Fado” (2009). Com o galardão recebido, Carminho conta já com cinco platinas na sua carreira. No dia em que se celebra o quarto aniversário do Fado como Património Mundial Imaterial da Humanidade, o Campo Pequeno vai receber o Fado na sua mais pura essência com um concerto especial da fadista Carminho. A artista irá subir em nome próprio pela primeira vez ao palco desta que é uma das mais prestigiadas salas de espetáculos de Lisboa, para apresentar o seu terceiro álbum de estúdio, “Canto”, editado no passado mês de novembro.  Em 2009, Carminho editou o seu primeiro álbum “Fado” considerado “a maior revelação do fado da última década”, tendo sido nomeado pela conceituada revista britânica Songlines como um dos dez “Best Album 2011”. Com ‘Perdoname’, com Pablo Alborán, Carminho tornou-se na primeira artista portuguesa a atingir o número 1 do top espanhol. Em 2012 lançou o seu segundo álbum, “Alma”, que estreou em primeiro lugar nos tops de venda portugueses e alcançou lugares de destaque em vários tops internacionais. Já no final de 2012, Carminho realiza um sonho de sempre e grava com Milton Nascimento, Chico Buarque e Nana Caymmi, resultando numa reedição de “Alma", com três novos temas.

 

Em 2015 Carminho segue viagem. O seu mais recente disco “Canto” é uma das maiores surpresas do ano e confirma o futuro daquela que é já uma das artistas portuguesas de maior projeção internacional. Ainda este ano, Carminho participa num disco de tributo a Amália Rodrigues num dueto único com Caetano Veloso.

 

Campo Pequeno (Lisboa)

27 de Novembro 2015 | 21.30h

 

Fotografia: Paulo Homem de Melo

Tiago Bettencourt com um leque de convidados especiais no Porto e em Lisboa

Tiago Bettencourt irá brindar Lisboa e Porto com um leque de convidados especiais. No Porto irá subir ao palco Pedro Abrunhosa, Márcia e Fred Pinto Ferreira. Já em Lisboa o músico irá contar com a companhia de Paulo Gonzo e Márcia

000.jpg“Comecei cedo. Quando gravei o primeiro disco dos Toranja tinha 22 anos e não fazia ideia do que era estar em estúdio. Não sabia que existia um mercado discográfico, não sabia que um single tinha que ter três minutos e meio para passar na rádio, não sabia que era preciso a minha música passar muito na rádio para dar muitos concertos, e ter muito sucesso. Não sabia que para o mundo inteiro o sucesso era aparecer na televisão e ser reconhecido na rua. Essa parte aconteceu rapidamente, e de tal forma que não soube deixar de ser um miúdo tímido a tempo de não me chamarem um miúdo arrogante. Não sabia que o tipo de imprensa que ouvia a mesma música que eu, só gostava dos artistas se eles não vendessem discos. Eu vendi muitos discos. Não sabia que o sucesso era dar mil concertos num ano, para pessoas que no fundo não nos queriam ouvir, mas que queriam olhar para nós, apontar, dizer “olha aqueles são daquela banda cheia de sucesso”, mas não nos ouviam. Eu não sabia que na altura em que comecei a ouvir música as pessoas tinham começado a deixar de ouvir música com tempo, porque a internet tinha trazido de rompante tanta música que a própria música estava a deixar de ter o seu devido valor. Para mim cada canção que me tocasse era uma joia e cada disco que me mudasse era uma arca de tesouros, como uma tatuagem. Não sabia que naquela altura as pessoas estavam a começar a não ouvir discos, que era aquele o princípio do fim do conceito de disco como um livro que se lê.

Naquela altura eu não sabia muita coisa, mas sentia já com muita força que o Tempo era como um juiz que filtrava o que ficava, e o que caía no esquecimento. Eu sabia que, havendo essa oportunidade única, queria fazer música que se pudesse ouvir não só naquela altura, como hoje e amanhã da mesma maneira, e que continuasse a existir depois de eu desaparecer, independente de modas e movimentos artístico-musicais. Lembro-me que, no principio, era isso que eu queria fazer. Uma canção tinha que me tocar a mim primeiro, antes dos três minutos e meio, antes do refrão orelhudo, antes de a cantar para alguém, depois de a gravar, depois de alguém a cantar, depois dos discos vendidos e das passagens na rádio, das entrevistas, das fotografias e dos mil concertos, cada canção tinha que ainda existir, e tinha que ser o mais importante de tudo, infinitamente mais importante que eu próprio. Cada canção tinha que perdurar. As pessoas queriam ver a banda que fazia sucesso, e eu tão novo, via tudo tão efémero e distante... nada daquilo me preenchia, aliás, coisas tão pequenas como alguém vir ter comigo na rua e partilhar que uma música minha tinha feito parte de uma altura importante da sua vida, eram claramente mais gratificantes do que uma semana inteira de concertos para miúdos que berravam de emoção se eu levantava a mão para acenar. Era clara a diferença de caminhos, era claro o caminho a seguir. Eu era muito novo, mas já sabia o que não queria. Nunca imaginei que ia gravar mais que um disco. Pensava que ia voltar para o estágio de arquitectura e que esta aventura ia passar. Simplesmente tentei dar o melhor de mim pela dádiva que me foi concedida. Ainda hoje tento e todos os dias sou grato por poder fazer o que faço.

O primeiro pico de sucesso foi importante, mas insignificante comparado com tudo o que aconteceu depois, com todo o trabalho que me trouxe até aqui, trabalho esse que não foi só meu, mas de tanta gente indispensável no meu caminho: falo dos músicos, da minha banda, equipas de estrada, agentes, editora, e de tantos amigos. É bom ter pessoas a ouvir o que cantamos, é mágico fazer parte das vidas de tanta gente. É uma lição de humildade ouvir dizer “obrigado pelo seu trabalho” às 3 da manhã no Bairro Alto. É bom, depois de todo este tempo, não eu, mas a minha música, continuar a percorrer caminhos tão distantes e diferentes dos meus.Acho que o sucesso é podermos dormir descansados com as escolhas que fizemos. Podia ter feito os Coliseus na altura dos Toranja. Por alguma razão, resolvi continuar caminho.

Hoje, de maneira sólida e adulta, longe de ondas e sucessos prematuros, depois de 7 discos gravados, vamos arriscar aquelas que para mim são as duas salas mais emblemáticas do país. Se vamos encher? Não sei. Mas vamos seguros, e com esperança de que seja um dia de reencontros, e que todos aqueles que ao longo do tempo se cruzaram com minha música estejam presentes para desta vez cantarmos todos juntos, eles comigo, e eu com eles. Estes Coliseus vão ser um gigante obrigado a todos os que, algures nestes 14 anos, abriram a porta da sua casa para uma canção minha entrar. (…)”

(Tiago Bettencourt)

 

Coliseu (Porto)

7 de Novembro 2015 | 21.30h

 

Coliseu dos Recreios (Lisboa)

14 de Novembro 2015 | 21.30h