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Glam Magazine

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Festivais: Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro

O Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro, conhecido como Out.Fest, realiza-se entre 8 e 11 de Outubro, já tem o seu cartaz completo. O festival, um dos mais reconhecidos em Portugal ao nível das linguagens mais experimentais desde 2004, contará este ano com nomes como Matana Roberts, Golden Teacher, Vladislav Delay ou Russell Haswell.

out.pngO festival arranca a 8 de Outubro na Escola de Jazz do Barreiro com a presença da americana Matana Roberts. Na mesma sessão estarão, em duo, o clarinetista japonês Akira Sakata e o pianista Giovanni Di Domenico, e também o trio português Miguel Mira, Pedro Sousa & Afonso Simões.

No dia 9, no Museu Industrial da Baía do Tejo, haverá o regresso a Portugal do finlandês Vladislav Delay, O dia marca ainda o encontro colectivo entre os portugueses David Maranha, Ricardo Jacinto e Norberto Lobo com a sueca Helena Espvall.

No dia 10 de outubro, na Associação Desenvolvimento Artes Ofícios (ADAO), o noise e a experimentação electrónica/tecno marcam presença com o australiano Russell Haswell, os escoceses Golden Teacher, e ainda o duo constituído pelo saxofonista alemão Peter Brötzmann, na companhia do pianista americano Jason Adasiewicz.

Nesse dia os concertos na ADAO, contam com a presença dos portugueses Gala Drop, Caveira e Niagara, os franceses Black Zone Myth Chant e Low Jack, e as prestações de Filipe Felizardo, Cotrim, Bleiddwn ou Älforjs.

No dia 11, dia de encerramento, na Escola Conde de Ferreira, o americano Laraaji, apresentará “The Peace Garden”, uma peça que é também workshop de meditação e performance.

Livros: Livro “Tronos de Santo António”

No âmbito das Festas de Lisboa’15, o Museu de Lisboa – Santo António, da Câmara Municipal de Lisboa e a EGEAC lançaram, pela primeira vez, o desafio: recuperar a tradição de construir tronos em honra ao santo querido do povo, o Santo António, uma das expressões mais originais do culto antoniano e da iconografia das festas da cidade.

tronos-imagem.jpgConta-se que a tradição teve origem no século XVIII quando, após o Terramoto de 1755, a população e, principalmente, as crianças se empenharam na angariação de fundos para a reconstrução da igreja de Santo António.

A adesão a esta que foi a primeira experiência do projecto, foi surpreendente: desde Juntas, colectividades e escolas, até cidadãos comuns, vizinhos, netos e avós, foram muitos os que se deslocaram ao Museu para levantar as estruturas disponibilizadas e decoraram ou recriaram os tronos de Santo António.

Dezenas de tronos espalharam-se nas ruas, portas e janelas de várias zonas da cidade, durante todo o mês de Junho. Reviveu-se a história, recuperaram-se memórias, cruzaram-se tempos e gerações.

 

Reunindo os 66 tronos em registo fotográfico e num roteiro da cidade, temos a honra de lançar o livro Tronos de Santo António, numa apresentação que contará com a presença e testemunho de alguns dos participantes e representantes das entidades envolvidas nesta iniciativa, a que se pretende dar continuidade

 

O livro é apresentado no dia 15 de Setembro, às 19 horas, no Museu de Lisboa - Santo António.

Discos / review: “Fool’s Gold” – The Walks

Falar dos The Walks é falar de Gonçalo Carvalheiro, Hélder Antunes, John Silva, Miguel Martins e Nelson Matias que cruzaram os seus caminhos em meados de Setembro do ano de 2012.

Mas é em 2014 com a inclusão do tema “Redefine” na colectânea “Novos Talentos FNAC 2014” que a banda se torna conhecida e que serviu de suporte ao EP “R” editado no mesmo ano.

the walks - front.jpgEntretanto em 2015, a banda grava e edita “Fool’s Gold”, um disco que acaba por corresponder e bem às expectativas criadas em 2014. É um disco para ouvir do inicio ao fim, sem pausas e de preferência bem alto…. Como eu gosto de ouvir. São 12 temas, dos quais 10 originais. Podia falar de “redefine”, o tema que lançou a banda mas não vale a pena, é demais conhecido e apreciado para falar.

O disco “arranca” com um “clockwork”, o single de apresentação do álbum, mas é com “lost in the crowd” que se encontra a sonoridade da banda, o som que queremos encontrar. O beat numa mescla de rock baseado num baixo potente e numa percussão única que ao vivo ganha mais notoriedade com a presença em palco da Paula Nozzari. O som “sujo” e garage-rock segue o seu caminho com riffs calculados e uma voz a trazer à memoria os anos 60 com o tema “holding on”, do meu ponto de vista e de audição um dos melhores, se não o melhor tema do disco.

Seguindo o alinhamento, “loaded gun” segue a linha traçado no inicio do disco com “clockwork”, um tema que resume em 3 minutos as várias influencias da banda, desde o beat/rock dos anos 60 até rock & roll de meados das décadas de 70. “move along”, um dos temas mais energéticos do disco, prova disso é a sua apresentação ao vivo, segue a linha anos 70 uma percussão forte e bem vincada e um riff de guitarra na fronteira do punk, mas que resulta num som único e envolvente.

O alinhamento do disco faz redescobrir “redefine”, o tema editado em 2014 e que passa para segundo plano perante temas mais vincados, mas mesmo assim, passado um ano é uma referência neste disco e na carreira dos The Walks. Saltamos para “pleasure and pain” onde alguma, excelente sonoridade psicadélica, proveniente de uma garagem dos anos 60 salta para primeiro plano. “midas touch”, é curto, sujo e eficaz. È um daqueles temas onde a banda mostra que mesmo sem voz, a música que produzem está lá, e é para ouvir. “hell of a dream” traz aquilo que ainda não tinha escutado no disco, feedback e distorção q.b. mas que resulta e que complementa os riffs que sobressaem da guitarra e do baixo… Com a ajuda de Vitor Torpedo, “riding the vice”, não sendo um original neste disco, transporta os nossos sentidos para o outro lado do oceano. Um som Rock FM, a banda sonora ideal para ouvir a conduzir… quem sabe pelos Estados Unidos…

A viagem sonora continua ao longo das 12 faixas do álbum e o folk/rock marca a sua presença no disco. “out of luck”, numa mescla acústica bem elaborada corrobora da analise que a banda consegue construir temas baseados nas mais variadas sonoridades e influencias. Não sendo um dos meus temas favoritos, é de enaltecer a mestria que a voz de John desenrola o tema. O disco encerra com “inside out”, como que um resumo da obra apresentada. Aqui o psicadelismo, o rock e até alguma influência de Seattle andam de mãos dadas ao longo de 6 minutos, como que a encerrar com chave de ouro um disco que merece ser ouvido muitas vezes.

Deixo para o fim o tema de abertura “clockwork”, o chamado cartão de visita do disco, que não sendo genial como alguns temas no disco, é um bom cartão de visita mas “esconde” algumas genialidades musicais no álbum.

the walks - back.jpgComo análise final, o disco “Fool’s Gold” é um verdadeiro compêndio musical, e ajuda a ilustrar musicalmente a história do beat e do garage-rock no século XXI. Um disco que marca o ano de 2015 em termos de edições discográficas nacionais e um sério candidato a um dos melhores álbuns do ano.

A edição é da Lux Records e estará à venda em finais de Setembro.

 

Paulo Homem de Melo

Discos: “Offbeat” dos Cais Sodré Funk Connection vence melhor vídeo de música no Cannes Short Film Festival

Depois de vencer o Short Sharp Film Festival 2015 e o VOTD este é o 3º prémio ganho pelo vídeo realizado por Richard F. Coelho para “Offbeat” o single de apresentação do novo disco "Soul, Sweat & Cut the Crap!", a editar brevemente.

cais.jpgNas palavras de Richard F. Coelho, responsável por todo o conceito criativo “Visto a letra não ter uma narrativa bem demarcada, pensei então em fazer algo extremamente estético e com uma narrativa sugerida (ao invés de representada). Também, sendo um fã de behaviorismo, queria representar a génese humana, que é algo tão presente nos Cais Sodré Funk Connection. Outra coisa era ter uma certa comicidade e divertimento que é tão característico dos Cais Sodré Funk Connection. No meio disto surge então este filme: a banda e várias outras personagens que vivem/convivem surrealmente neste ambiente desolado e decrépito, representando os nossos medos, aspirações, sexualidades, traumas, entre outras características, de uma forma estranha e divertida.”

O vídeo foi também apresentado em festivais como Desert Rocks Film and Music Event 2015, UnderGround Short Film Festival 2015, Curtas Vila do Conde Festival 2015, Shortcutz Lisbon 2015 entre muitos outros.

 

Os Cais Sodré Funk Connection chegam também ao cinema. “Take it like a Man e Ladies´ Man”, do segundo disco do grupo, integra a banda sonora de “O Efeito Isaias", uma curta de Ramon De Los Santos, com a participação de Rui Unas, actualmente em competição no MoteLx.

Quanto a concertos, "Soul, Sweat & Cut the Crap!" continua em digressão por todo o país… dia 18 de Setembro actuam na Moita.

 

Fotografia: Paulo Homem de Melo

Festivais: Vodafone Mexefest… BLOCO (Tropkillaz, Karol Conka, Mahmundi)

Do tradicional Bloco Olodum aos muitos blocos de Carnaval, a palavra BLOCO sempre teve forte presença no léxico da música brasileira. Conjunto, ritmo, melodia, força e muita musicalidade constituem alguns dos conceitos ancorados a BLOCO. O Vodafone Mexefest apresenta o seu próprio BLOCO, formado pelo que de mais relevante a música brasileira apresentou na área da eletrónica dos últimos tempos. A missão enérgica da turma dos Tropkillaz, o “batuk freak” e a presença única da MC Karol Conka, e a qualidade estética das canções de Mahmundi, todos os condimentos reunidos para uma noite especial do alinhamento do Festival que a Música faz mexer em Lisboa. São três nomes que estão na linha da frente do que mais atual se cria no Brasil, constituindo uma massa, um BLOCO, fresco e vibrante que atualiza todos os seguidores de tendências.

001.jpgTropkillaz são um duo formado por 2 DJs de topo no Brasil. DJ Zegon é um produtor com mais de 20 anos de carreira e que já colaborou com artistas como Kanye West, M.I.A. ou David Byrne. Loudz tem uma carreira mas curta mas o seu talento não o impediu de ter já trabalhado com os principais MCs brasileiros e com nomes como Snoop Dog ou Dr. Dre. Juntos apresentam uma combinação explosiva com sonoridades latinas, electro e hip hop, criando um estilo verdadeiramente único.

002.jpgKarol Conka descobriu o mundo das rimas ainda no Colégio. Depois de algumas fugazes parcerias, encontrou em Nave, produtor de nomes como Marcelo D2 ou Emicida, o parceiro ideal para aquilo que queria fazer, um rap com sonoridade universal, aliando batidas pesadas a timbres orgânicos. Desde 2013 que viaja pelo mundo a apresentar a sua música. Já com tours pela Austrália e Ásia, tem sido aclamada pela crítica internacional, do The Guardian à Billboard passando pela Rolling Stone e até a BBC1, onde foi a primeira artista a fazer um live lounge numa língua que não o inglês. Já este ano, arrecadou com o tema “Tombei” o prémio de Melhor Canção nos prémios Multishow.

003.jpgMahmundi é Marcela Vale. Em 2012 lançou seu EP “Efeito das Cores” e foi desde logo destaque nos principais meios brasileiros, como o jornal O Globo, a revista Time Out, os portais Vírgula e Yahoo, e os blogs independentes Move That Jukebox, URBe, Rock n’ Beats, Miojo Indie e RockinPress. Abençoada por uma escola musical liderada por Rita Lee e Marina Lima, todo o disco parece ser tirado do auge dos anos 80, época que influencia grande parte do seu trabalho. Em Novembro vai estar em Portugal para participar na edição de 2015 do Vodafone Mexefest.

 

Vodafone Mexefest. De palco em palco, a Música mexe na cidade.

Agenda: Mdou Moctar + Jibóia em Lisboa

A história de Mdou Moctar é por si só uma vibrante sucessão de acontecimentos. Encontros e desencontros próprios da vida que apenas poderiam resultar numa fenomenal estrela como, de resto, se tornou. Não que tenha atingido uma escala comercial alargada, mas certamente fez vingar e contagiar mundo fora, a sua paixão e dedicação pela guitarra. Desde criança que esse fascínio pelo instrumento se vinha a impôr a uma dimensão demasiado grandiosa para ser desprezada. Contudo, quando se cresce no seio de uma família conservadora, que tinha na música uma proibição absoluta, a tarefa ameaça ser bem mais desafiadora. Nada que tenha no entanto afastado Mdou desse objectivo de um dia também ele pegar na guitarra e torná-la uma extensão de si mesmo, à semelhança do seu herói, e também guitarrista, Abdallah Oumbadougou. Por entre barreiras familiares e uma série de circunstâncias externas à sua vontade ditando um afastamento de três longos anos à guitarra, reencontrou-se com ela para nunca mais a largar.00.jpgContrariamente à recente nata de música tuareg, destacada por nomes como Bombino ou Tinariwen, a mensagem de Mdou descarta uma intervenção política, centrando-se essencialmente na narrativa do dia-a-dia, em sentimentos universais guiados por uma entrega absoluta e genuína. Considera-se um revolucionário do coração, um porta-voz acidental para a sua geração local que desde então tem vindo a alargar-se à escala internacional. Um efeito parcialmente explicado pelo factor-causa chamado Christopher Kirkley (também patrão da editora norte-americana Sahel Sounds) que um dia gravou o clássico Tahoultine a partir de um telemóvel. Daí até ao convite para Mdou fazer parte do seu clã de artistas foi passo natural e obrigatório.

 

Em união espiritual com o cenário garrido do deserto de Mdou, e a marcar o arranque das festividades, Jibóia está então de regresso para uma apresentação absolutamente singular. Agora em duo, junta-se ao palco Ricardo Martins na mira de um set extra-ritmado.

 

Galeria ZDB (Lisboa)

17 de Setembro 2015 | 22.00h

Agenda: Carminho celebra Dia do Fado em estreia no Campo Pequeno

No dia em que se celebra o quarto aniversário do Fado como Património Mundial Imaterial da Humanidade, o Campo Pequeno vai receber o Fado na sua mais pura essência com um concerto especial da fadista Carminho. A artista irá subir pela primeira vez ao palco desta que é uma das mais prestigiadas salas de espetáculos de Lisboa.

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Em 2009, Carminho editou o seu primeiro álbum “Fado” considerado “a maior revelação do fado da última década”, tendo sido nomeado pela conceituada revista britânica Songlines como um dos dez Best Album 2011. Com “Perdoname”, em dueto com Pablo Alborán, Carminho tornou-se na primeira artista portuguesa a atingir o número 1 do top espanhol. Em 2012 lançou o seu segundo álbum, “Alma”, que estreou em primeiro lugar nos tops de venda portugueses e alcançou lugares de destaque em vários tops internacionais. Já no final de 2012, Carminho realiza um sonho de sempre e grava com Milton Nascimento, Chico Buarque e Nana Caymmi, resultando numa reedição de “Alma", com três novos temas.

 

Em 2015 Carminho segue viagem. O seu mais recente disco “Canto” é uma das maiores surpresas do ano e confirma o futuro daquela que é já uma das artistas portuguesas de maior projeção internacional. Ainda este ano, Carminho participa num disco de tributo a Amália Rodrigues num dueto único com Caetano Veloso.

 

Um espetáculo imperdível dia 27 de novembro no Campo Pequeno.

 

Campo Pequeno (Lisboa)

27 de Novembro 2015 | 21.30h

 

Fotografia: Paulo Homem de Melo