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Glam Magazine

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Dia 1 do Vodafone Paredes de Coura… “A noite em que a Tv passou para a Radio”

Um dia de muitas expetativas e da primeira enchente do festival.

Pela primeira vez na história já longa do evento, o festival está esgotado do primeiro ao último dia.

Aqui procura-se a música pela música não se vai ao encontro de outras distrações já habituais em festivais. “Uma cena boa da música é que quando ela bate não doí”, eram as palavras de Bob Marley que se liam num cartaz, e que representa na perfeição o que é Paredes de Coura.DSC_0597 (Cópia).jpgAqui vive-se, respira-se desde o início da semana o espírito da música, o encanto de toda a envolvência do festival, o rio, os banhos de rio, as diversões inerentes ao exterior do recinto dos concertos, o que mais parece o paraíso, quem já cá veio percebe o que descrevo.

Pelas 18 horas o recinto do festival abre ao público e como habitualmente algumas centenas de festivaleiros “correm” literalmente para a frente do palco para garantirem o melhor lugar.

DSC_0210 (Cópia).jpgEm relação à música, o que no fundo move a alma de todos os que estão em Paredes de Coura, coube aos portugueses Gala Drop o arranque do festival pelas 19 horas. O psicadelismo dançavel da banda de Lisboa, formada a mais de 10 anos, trouxe uma envolvência muito própria no anfiteatro natural de Paredes de Coura, criando a atmosfera perfeita para um final de tarde, ao longo de 45 minutos, do que viria a ser a primeira noite do festival. A música dos Gala Drop transporta para outra dimensão os que a ouvem, graças à voz rouca de Jerry The cat, de origem norte-americana a residir em Lisboa, e que já passou por bandas tão icónicas como os Funkadelic e os The Parliament.

DSC_0149 (Cópia).jpgOs californianos Ceremony não se fizeram de cerimónias em palco, e o seu som punk-rock levou ao rubro os festivaleiros que tiveram as primeiras aventuras de “crowdsurfing”. A banda inspirada no som obscuro dos Joy Division bem como de uma sombria Manchester, e com um visual “despido” de preconceitos, quer pela presença do seu líder em palco, quer pela sua música, “atacou” na perfeição o ambiente do festival, acabando a sua atuação já com o recinto praticamente completo. Um concerto curto mas que cumpriu na íntegra os seus pressupostos.DSC_0243 (Cópia).jpg

Pelas 21.15 horas, o duo britânico Blood Red Shoes, de regresso a Paredes de Coura, com o seu som hard indie rock e as suas descargas de energia, intensificou o espirito rebelde despontado pelos Ceremony. Longe de ser um dos melhores concertos da noite, conseguem com os seus riffs de guitarra, acompanhados por um ritmo de percussão intenso e agressivo, criar o primeiro de muitos “moches” da noite. Caraterística comum neste primeiro dia de Festival os concerto de curta duração ao que o dos Blood Red Shoes foi prova disso.DSC_0624 (Cópia).jpgOs Slowdive já eram bastante aguardados pelo público, sendo uma banda bastante acarinhada pelo público português, a receção dos festivaleiros foi notória quando os membros do grupo sobem ao palco pelas 22.30 horas. Os britânicos, já com uma carreira de mais de 25 anos, sabem bem conquistar grandes audiências em festivais com o seu som indie-pop num misto de psicadelismo e “dream pop” através da voz envolvente de Rachel Goswell. A banda passou em os seus êxitos em palco. Os riffs de guitarra aliados a um psicadelismo a reviver os anos 60, fizeram-se igualmente ouvir para delírio dos milhares que já enchiam o recinto aguardando pelos cabeças de cartaz da primeira noite, os TV On the Radio, que subiriam ao palco pelas 00.15 horas.DSC_0147 (Cópia).jpgA banda Nova Iorquina liderada por Tunde Adebimpe sobe ao palco já com o recinto completamente cheio. O rock puro e duro dos norte-americanos levam ao rubro os festivaleiros com moches e consecutivos “crowdsurfings”. Os TV On the Radio são a prova mais que viva que a música negra não é só funky ou soul, e que o rock não é carateristica de alguns. Ao segundo tema, “Happy Idiot” o público estava completamente rendido. O ambiente de festival estava definitivamente instalado. Apesar dos inúmeros “crowdsurfings” verificados, a banda fez questão de alertar a assistência para os perigos que envolvem este “comportamento” muito em moda em festivais e concertos.

DSC_0669 (Cópia).jpgOs TV On The Radio provaram em palco o porque do primeiro dia ter tido uma afluência de 25.000 pessoas.

Uma nota negativa, o concerto da banda ter-se resumido apenas a 60 minutos, o que como já foi referido parece ter sido uma regra para este primeiro dia.

A noite terminava ao som do DJ Fra no palco Vodafone FM (After Hours).

Um primeiro dia em grande com a música a conquistar o seu “habitat natural”.

 

Reportagem: Sandra Duarte Pinho

Fotografias: Paulo Homem de Melo