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Glam Magazine

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Reportagem: Jafumega & Orquestra Filarmonia das Beiras em concerto único.

Na Comemoração do 10º aniversario da reabertura, o Cine Teatro de Estarreja não podia apresentar melhor programa.

Juntar em palco os Jafumega com a Orquestra Filarmonia das Beiras num concerto único e memorável, ficará certamente para a história da música Portuguesa.DSC_0595 (Cópia).jpgRecordando um pouco da história dos Jafumega, a banda teria um curto período de vida que não foi além dos 5/6 anos. Formados em 1980, surgem após uma evolução da banda Mini Pop.

Segundo Luís Portugal, em declarações no ano de 2001, “optámos por uma pausa temporária mas, infelizmente, a paragem foi fatal.

Já em 1999, Eugénio Barreiros tinha-se referido acerca de uma possível reunião dos Jafumega, “Só se for para um concerto pela paz”, o que viria a acontecer em 2013, mas não pela paz, mas sim pelo gosto da música.

DSC_0599 (Cópia).jpgO regresso aos palcos no formato que foi apresentado na noite do passado sábado “era uma ideia antiga que nós tínhamos e era difícil de concretizar por razões óbvias… Era também uma ideia arriscada pois consistia em juntar dois mundos que não têm muito a ver um com o outro. Juntar música rock, se é que nós somos isso, e música clássica... Dois mundos desligados um do outro. Foi um desafio que não foi fácil. Contámos com a ajuda de um grande amigo nosso que é um grande compositor português, Carlos Azevedo …. O Carlos Azevedo percebeu onde é que poderiam estar os pontos de união entre uma coisa e outra e, embora sejamos suspeitos, fê-lo de uma forma que nós achamos que está muito bem feita. Contamos também com a colaboração de uma pessoa que foi importante para colocar isto a funcionar na prática, o maestro António Lourenço que, com toda a competência e paciência que lhe conhecemos foi capaz de colocar tudo isto a funcionar. Foi um trabalho árduo e demorado mas que valeu a pena. Há ainda aqui um terceiro elemento que permitiu que tudo isto fosse possível e que foi o executivo da Câmara Municipal de Estarreja. Estamos agradecidos ao executivo da Câmara por nos ter feito este convite, por ter tornado possível este sonho e por ter visão para perceber o alcance que um encontro deste tipo pode ter. A cultura, ao contrário do que muita gente, e principalmente os políticos, acham, a cultura é um fator de avanço das sociedades absolutamente fundamental. Muitos políticos estão agarrados exclusivamente às questões económicas e financeiras que têm com certeza um papel fundamental no imediato mas não percebem que as grandes transformações da sociedade se devem quase exclusivamente a fatores de ordem cultural. Nem todos os políticos em Portugal são maus, pelo contrário. Há muitos que são bons. O executivo da Câmara Municipal de Estarreja é um exemplo de quem valoriza a cultura e de quem tem visão...", referiu José Nogueira antes da banda iniciar o encore do concerto, em jeito de agradecimentos.DSC_0608 (Cópia).jpgMas falando do concerto e da noite vivida no passado sábado em Estarreja, um palco repleto de músicos, cerca de 40, repartidos entre elementos da Orquestra Filarmonia das Beiras e os Jafumega, que se apresentaram em palco num formato alargado. Luís Portugal, acompanhado pelos elementos da banda Mário Barreiros, José Nogueira, Eugénio Barreiros e Pedro Barreiros e mais dois convidados, Miguel Ferreira dos Clã nos teclados e Ruca Lacerda na bateria.

DSC_0609 (Cópia).jpgFoi ao som de “Outro dia do ano” que a banda inicia a sua apresentação. Nervoso de inicio, Luís Portugal rapidamente entrou no espirito de festa que se pretendia para essa noite. “Nordeste” e “Sei que pareço um ladrão” criavam já ambiente à sala e os músicos em palco já dominavam o concerto.

Luís Portugal, sempre no seu estilo irreverente e divertido, não parava, a responsabilidade da apresentação de um projeto único, o aniversario do CTE e o fato de estar a “jogar em casa” fazia que o seu nervoso miudinho em palco ainda se mantivesse.DSC_0645 (Cópia).jpg

O público já vibrava mas aos primeiros toques de guitarra da música “Kasbah” solta-se e entra na festa, tal como era expectável. “Kasbah”, do disco editado em 1982, e um dos maiores sucessos da banda, provoca junto do publico a primeira participação do mesmo a cantar o tema do principio ao fim. Era o momento que Luís Portugal e os restantes elementos dos Jafumega esperavam.DSC_0626 (Cópia).jpgSeguem-se 2 temas, daqueles lá do meio do disco como referiu Luís, daqueles que tinhamos que lá ir com a agulha do gira-discos, mas igualmente bons.

DSC_0728 (Cópia).jpgNo alinhamento surgia “Keep your girl” do primeiro disco do grupo, editado em 1980, curiosamente todo cantado em inglês mas com o titulo, do album, em português. Foi o único tema desse LP a fazer parte do alinhamento da noite.

A segunda explosão por parte do público surgia com o intemporal “Dolce Vita”. Cantado a plenos pulmões, e dançado pelo publico, o tema levou mesmo a que os primeiros espetadores se levantassem das cadeiras para melhor acompanhar a energia do tema.DSC_0597 (Cópia).jpg“Rustica”, composto com base num poema de Florbela Espanca, e com a voz de Eugénio Barreiros, foi um dos pontos altos da noite. Ouvia-se a voz de Eugénio pela segunda vez na noite, tendo Luís Portugal feito uma pausa, e afirmando que também é preciso acalmar um bocado.DSC_0735 (Cópia).jpgLuís Portugal aproveitou para agradecer a presença e a colaboração da Orquestra Filarmonia das Beiras, dos seus elementos, que naquela noite não estavam vestidos com os seus tradicionais fatos negros, mas sim de uma forma mais casual, o que se enquadrava no espirito da noite.

Agradeceu ainda o excelente trabalho do maestro António Lourenço pelas suas orquestrações apesar da “diferença de volumes” como mais tarde era referido pelo José Nogueira.DSC_0664 (Cópia).jpg“Origem” e o “Guida peituda” são os temas que se seguem com a curiosa referencia ao tema “Guida peituda” que quando foi escrito, Margaret Thatcher, na altura primeira ministra em Inglaterra, serviu de inspiração para o tema e que a mesma “inspiração” se aplicava atualmente a outro líder politico europeu.

Em jeito de homenagem, o tema “Homem da Rádio” serviu para em palco se prestar a merecida homenagem à Radio Voz da Ria pelos serviços prestados no concelho de Estarreja.DSC_0701 (Cópia).jpgOs três últimos temas antes do encore foram de completo delírio na sala, delírio saudável diga-se, quer em palco, quer no publico. “Ribeira”, seguindo-se “Nó cego” e Latin America” fizeram que o auditório do Cine Teatro de Estarreja, completamente lotado, cantasse os temas, em pé, do principio ao fim.

Adivinhava-se claro um encore animado e com algumas surpresas como já tinha sido antes revelado em palco pelo Luís Portugal.DSC_0822 (Cópia).jpg

Antes do encore seguem-se as palavras de agradecimento por parte de José Nogueira acima transcritas, e é ao som de “Dá-me lume” que o concerto se aproxima do final.DSC_0827 (Cópia).jpg“Romaria”, canção sabiamente escolhida para o final, iria ser responsável pela surpresa, o tema cantado em pé pelo publico é interrompido por Luís Portugal que questiona: "Estamos aqui com esta orquestra, com o público a cantar e a dançar... o que falta mais?"

Assiste-se assim à entrada na sala de vários elementos da Banda Bingre Canelense, que com os seus instrumentos, acompanham sabiamente o tema que era apresentado em palco.

Um final de festa, em grande festa, fazendo a junção de 3 mundos musicais, o rock, o classico e o popular.DSC_0801 (Cópia).jpgAgora… vamos esperar ansiosamente pelo registo em vídeo do concerto, e está de parabéns o Cine Teatro de Estarreja pelos 10 anos de excelentes espetáculos e pelo excelente concerto apresentado nesta noite.

 

Alinhamento do concerto:

- Outro dia do ano (OFB)

- Nordeste

- Sei que pareço um ladrão (OFB)

- Kasbah

- Liquidamos a Existencia

- Só sai a ti (OFB)

- Keep your girl

- Dolce Vita

- Rústica (OFB)

- Origem (OFB)

- Guida peituda

- Homem da Rádio

- Ribeira (OFB)

- Nó cego (OFB)

- Latin América

 

Encore:

- Dá-me lume

- Romaria (OFB)

 

Texto e Reportagem: Sandra Duarte Pinho

Fotografias: Paulo Homem de Melo

Reportagem: 10 Anos Cine-Teatro de Estarreja… na fila da frente...

Em 10 anos de atividade continua, um total de 275 mil espetadores marcaram presença pelos vários espaços do Cine-Teatro de Estarreja ao longos dos 3083 eventos que foram apresentados nestes 10 anos.

A evolução e crescimento tem sido uma constante com o publico a crescer cerca de 35% apenas no último ano.

O Cine-Teatro de Estarreja sempre apostou numa estratégia ambiciosa desde 2005.

Localizado no eixo entre Porto e Aveiro, ao longo dos 10 anos de atividade destacaram-se vários nomes internacionais da música.TLT (71) (Cópia).jpg

Lloyd Cole, Joan as Police Woman, Au Revoir Simone, Tindersticks, Nouvelle Vague, Brad Mehldau, Devotchka, José James, Mayra Andrade, Andy Mackee, Fafá de Belém, Seu Jorge entre muitos outros marcaram presença no cartaz do Cine-Teatro de Estarreja.

Dando igualmente importância à lusofonia, desde 2007 o Cine-Teatro de Estarreja organiza todos os anos o ciclo “Concertos Íntimos” por onde já passaram grandes nomes como Sérgio Godinho, Sara Tavares e Jorge Palma em 2007, Clã, The Gift e Camané em 2008, Madredeus, Paulo de Carvalho e Ana Moura em 2009, Tereza Salgueiro, Fafá de Belém e Nuno Guerreiro em 2010, David Fonseca, Pedro Abrunhosa e Cristina Branco em 2011, Clã, GNR e Carminho no ano de 2012, António Zambujo, Tim e Pedro Abrunhosa que regressaria em 2013, Mafalda Veiga, A Naifa e Luis Represas no ano de 2014 e já este ano a presença de Rita Guerra, Tiago Bettencourt e o regresso de António Zambujo ao palco do Cine-Teatro de Estarreja.

DSC_0060 (Cópia).jpgNum total de 498 concertos nestes 10 anos, passaram por Estarreja os mais diversos nomes da música portuguesa, nomeadamente José Mário Branco, Rodrigo Leão, Vitorino, Miguel Araújo, Mão Morta, Danças Ocultas, The Legendary Tigerman, Norberto Lobo, Rita Redshoes, We Trust, Best Youth, Mind da Gap, Manel Cruz, Noiserv, JP Simões, The Black Mamba, Áurea, Luisa Sobral, Frankie Chavez, Dead Combo, X-Wife entre muitos outros.

O Jazz ao longo destes 10 marcou igualmente presença na programação do CTE com a organização do Estarrejazz, por onde passaram nomes como Maria João, Mário Laginha, Bernardo Sassetti, Jacinta, Laurent Filipe entre outros.CTE_001.jpgIgualmente o teatro a dança, comédia e artes perfomativas marcaram presença na atividade do Cine Teatro. Desde os mais variados nomes da comédia nacional, projetos de dança contemporânea de excelência apresentaram os seus projetos no CTECTE_002.jpgSegundo palavras de Luís Portugal, diretor artístico do Cine-Teatro de Estarreja desde 2014, “Cultura tem a ver com o bem-estar de cada um, tem a ver com a identidade de cada um e criar essa mesma identidade é o nosso propósito”

Os 10 anos do CTE resultaram na apresentação no dia 20 de Junho de espetaculo produzido para o efeito com a presença dos Jafumega e da Orquesta Filarmonia das Beiras. A Glam esteve lá e conta tudo o que se passou nesse concerto.

 

Fotografias: Paulo Homem de Melo